Muitas vezes a vida nos obriga a ocupar alguns
papéis dentro da família, os quais não são os nossos. E com o tempo, ficamos
tão acostumados a agir da forma como aprendemos, que tomamos conta e nos
envolvemos, como se fôssemos essa pessoa, assumindo responsabilidades que nem
são nossas. Sempre cometendo excessos em tudo, sem reconhecer os limites até do
próprio corpo.
É comum numa família, o pai ou a mãe desencarnar,
um deles abandonar a família ou os pais se separarem, por exemplo, e o filho
mais velho ocupar o lugar do pai, da mãe ou dos dois, assumindo esta posição.
Algo que obviamente foi necessário para ajudar a cuidar dos irmãos ou das
tarefas da casa.
Só que futuramente, esta criança a qual amadurece
muito cedo, não se permitirá ter momentos de descanso, de lazer ou atender suas
necessidades. Viverá exagerando em tudo e se cobrando demais. Pois não sabe que
tem limites e que não pode assumir algumas tarefas, especialmente aquilo que
não condiz com sua idade. Existem adolescentes que tem quinze anos e tem obrigações
de um adulto de quarenta.
Por isso, este adulto acabará não vivendo seus
sonhos e continuará a sua vida sendo “pai ou mãe” de todos. Na prática o que
normalmente acontece é que no trabalho, este será o mais responsável e poderá
até ocupar um papel de liderança, sempre precisando ajudar alguém. E em casa,
comandará tudo, viverá atarefado e terá pouco tempo para descansar e se
oportunizar mais momentos de leveza...
O que acontece geralmente é um conjunto de coisas,
as quais favorece este estilo de ser e de agir. À medida que o tempo passa a
tendência é ficamos mais responsáveis ainda. Precisamos saber que isso tudo
acontece na nossa história, desde quando nascemos e na infância, justamente
para aflorar a tendência daquilo que precisamos resgatar. O que neste caso é o
excesso de responsabilidades. Então, é claro que esta pessoa já nasce sendo o
filho mais velho, quando é criança “perde” o pai ou a mãe cedo para poder
assumir o papel de um deles, no cuidado com os irmãos, o amadurecimento
precoce... Enfim, tudo é adequado para que este indivíduo evolua nesta questão.
Obviamente, que quando a situação acontece, nós
precisamos assumir este lugar que fez falta na família, só que isto pode mudar
depois, na vida adulta. Pois em muitos momentos, nós iremos nos intrometer
naquilo que não é de nossa responsabilidade, o que gerará inimizades, revolta e
uma série de problemas nos relacionamentos. E sem entender porque, as pessoas
se afastarão e deixarão de conviver conosco.
Outras vezes, nós não aguentamos tanta pressão e
queremos mais é deixar de cuidar daquele irmão de trinta ou quarenta anos que
nunca soube fazer as coisas certas, por exemplo. Às vezes, nós apenas queremos
ser o filho, ganhar um colo ou um consolo, deixar de ser forte e de cuidar de
tudo. Nosso corpo, em alguns momentos está gritando por socorro. Está doente,
pois não temos tempo para atender as nossas vontades. Sendo assim, é
necessário, primeiramente, refletir se estamos ocupando o nosso lugar, o lugar
certo para nós. E parar de cometer excessos. Nossos familiares precisam
aprender a “se virar”.
Entretanto sem ter esta consciência, fica difícil
de alguém nos dar esta posição de “filho”. Nós é que precisamos delegar
funções, reconhecer nossos limites. Ninguém consegue perceber se está abusando,
sem que nós demos o comando ou que ensine alguém a fazer o que fazemos.
Em alguns momentos até nos iludimos achando que
fazendo tudo, está tudo bem. E na verdade isto é uma grande armadilha para nos
prender em situações, as quais não são de nossa responsabilidade.
As pessoas precisam ter seus manuais de
sobrevivência. Elas precisam saber como agir, o que fazer. Porque se nós sempre
fazemos, como elas saberão fazer sozinhas?
A cura maior desses excessos se dá, quando
aprendemos a confiar nas pessoas, dando a elas tarefas para cumprir e fazer.
Mesmo que num primeiro momento não dê muito certo, confiança e paciência são
essenciais. Ter a noção de que agora que somos adultos, precisamos deixar de
ser o filho mais velho, a mãe e o pai da família...
É comum nós sairmos de casa e continuar tomando
conta dos familiares, como se vivêssemos com eles ainda. Não permitimos que os
mesmos amadureçam também. E isso é muito complicado! Tenho um grande amigo que
até já desencarnou e que dizia sempre: “Ninguém é insubstituível!” Ou seja,
sempre tem alguém que faz o que nós fazemos. Então, precisamos nos desapegar e
viver as nossas vidas de uma vez por todas. Essa lição pode ser uma das maiores
para conquistarmos amor próprio. E o amor próprio é o mais importante para ter
bons relacionamentos e conquistar felicidade.
Cátia
Bazzan – Autora do livro Ame Quem Você é – Saiba que a melhor escolha é a sua.
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