quarta-feira, 29 de maio de 2013

Os papéis que ocupamos



Muitas vezes a vida nos obriga a ocupar alguns papéis dentro da família, os quais não são os nossos. E com o tempo, ficamos tão acostumados a agir da forma como aprendemos, que tomamos conta e nos envolvemos, como se fôssemos essa pessoa, assumindo responsabilidades que nem são nossas. Sempre cometendo excessos em tudo, sem reconhecer os limites até do próprio corpo.

É comum numa família, o pai ou a mãe desencarnar, um deles abandonar a família ou os pais se separarem, por exemplo, e o filho mais velho ocupar o lugar do pai, da mãe ou dos dois, assumindo esta posição. Algo que obviamente foi necessário para ajudar a cuidar dos irmãos ou das tarefas da casa.

Só que futuramente, esta criança a qual amadurece muito cedo, não se permitirá ter momentos de descanso, de lazer ou atender suas necessidades. Viverá exagerando em tudo e se cobrando demais. Pois não sabe que tem limites e que não pode assumir algumas tarefas, especialmente aquilo que não condiz com sua idade. Existem adolescentes que tem quinze anos e tem obrigações de um adulto de quarenta.

Por isso, este adulto acabará não vivendo seus sonhos e continuará a sua vida sendo “pai ou mãe” de todos. Na prática o que normalmente acontece é que no trabalho, este será o mais responsável e poderá até ocupar um papel de liderança, sempre precisando ajudar alguém. E em casa, comandará tudo, viverá atarefado e terá pouco tempo para descansar e se oportunizar mais momentos de leveza...

O que acontece geralmente é um conjunto de coisas, as quais favorece este estilo de ser e de agir. À medida que o tempo passa a tendência é ficamos mais responsáveis ainda. Precisamos saber que isso tudo acontece na nossa história, desde quando nascemos e na infância, justamente para aflorar a tendência daquilo que precisamos resgatar. O que neste caso é o excesso de responsabilidades. Então, é claro que esta pessoa já nasce sendo o filho mais velho, quando é criança “perde” o pai ou a mãe cedo para poder assumir o papel de um deles, no cuidado com os irmãos, o amadurecimento precoce... Enfim, tudo é adequado para que este indivíduo evolua nesta questão.

Obviamente, que quando a situação acontece, nós precisamos assumir este lugar que fez falta na família, só que isto pode mudar depois, na vida adulta. Pois em muitos momentos, nós iremos nos intrometer naquilo que não é de nossa responsabilidade, o que gerará inimizades, revolta e uma série de problemas nos relacionamentos. E sem entender porque, as pessoas se afastarão e deixarão de conviver conosco.

Outras vezes, nós não aguentamos tanta pressão e queremos mais é deixar de cuidar daquele irmão de trinta ou quarenta anos que nunca soube fazer as coisas certas, por exemplo. Às vezes, nós apenas queremos ser o filho, ganhar um colo ou um consolo, deixar de ser forte e de cuidar de tudo. Nosso corpo, em alguns momentos está gritando por socorro. Está doente, pois não temos tempo para atender as nossas vontades. Sendo assim, é necessário, primeiramente, refletir se estamos ocupando o nosso lugar, o lugar certo para nós. E parar de cometer excessos. Nossos familiares precisam aprender a “se virar”.

Entretanto sem ter esta consciência, fica difícil de alguém nos dar esta posição de “filho”. Nós é que precisamos delegar funções, reconhecer nossos limites. Ninguém consegue perceber se está abusando, sem que nós demos o comando ou que ensine alguém a fazer o que fazemos.

Em alguns momentos até nos iludimos achando que fazendo tudo, está tudo bem. E na verdade isto é uma grande armadilha para nos prender em situações, as quais não são de nossa responsabilidade.

As pessoas precisam ter seus manuais de sobrevivência. Elas precisam saber como agir, o que fazer. Porque se nós sempre fazemos, como elas saberão fazer sozinhas?

A cura maior desses excessos se dá, quando aprendemos a confiar nas pessoas, dando a elas tarefas para cumprir e fazer. Mesmo que num primeiro momento não dê muito certo, confiança e paciência são essenciais. Ter a noção de que agora que somos adultos, precisamos deixar de ser o filho mais velho, a mãe e o pai da família...

É comum nós sairmos de casa e continuar tomando conta dos familiares, como se vivêssemos com eles ainda. Não permitimos que os mesmos amadureçam também. E isso é muito complicado! Tenho um grande amigo que até já desencarnou e que dizia sempre: “Ninguém é insubstituível!” Ou seja, sempre tem alguém que faz o que nós fazemos. Então, precisamos nos desapegar e viver as nossas vidas de uma vez por todas. Essa lição pode ser uma das maiores para conquistarmos amor próprio. E o amor próprio é o mais importante para ter bons relacionamentos e conquistar felicidade.

Cátia Bazzan – Autora do livro Ame Quem Você é – Saiba que a melhor escolha é a sua.

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